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PARTE I: INTRODUÇÃO
1. Das palavras da bíblia à Palavra de Deus Bíblia e Palavra de Deus são realidades relacionadas entre si, mas não são sinónimos. A Palavra de Deus não se mumifica em letras impressas em folhas de papel.
2. A bíblia não é a Palavra de Deus paginada e encadernada em capas duras A Palavra de Deus é Deus-Palavra. Escutar a Palavra de Deus é acolher a presença transformante de Deus que se faz Palavra, isto é, comunicação, revelação, encontro comigo em mim.
3. A bíblia é uma Biblioteca A bíblia não é um livro, mas sim uma biblioteca. “Bíblia” é a palavra grega que significa, literalmente, “os livros”. Porque o que hoje temos encadernado como um só livro, é na verdade uma biblioteca com 73 livros, divididos em duas grandes “prateleiras”: 46 livros no Antigo Testamento, e 27 no Novo Testamento.
4. A bíblia não é "edificante" Os livrinhos light que enchem as estantes das livrarias em secções chamadas de “espiritualidades”, esses sim, são livrinhos edificantes. Quanto à bíblia… não é nada “edificante”! Encontra-se nela o melhor e o pior, a maior virtude do justo e o mais terrível homicídio do pecador, que às vezes até são a mesma pessoa. Quanto ao que diz de Deus… vai também do melhor ao pior, tamanha é às vezes a miopia do coração humano quando se trata de compreender o ser de Deus…
5. A bíblia não é um "livro sagrado" O cristianismo não é uma “religião do livro”. Para os cristãos a bíblia não é um “livro sagrado”. Os “livros sagrados” são perigosíssimos, porque encerram sempre qualquer coisa a que se vem a chamar “lei de Deus”. A partir daqui, está a porta aberta para todas as opções e imposições desumanizantes assumidas em nome da “lei de Deus” pelos poderosos que a controlam.
6. Uma parábola sobre a bíblia Há alturas em que a vida não é fácil para quase ninguém… O Gervásio viveu numa altura dessas. O dinheiro era à míngua, o futuro não sorria a ninguém e as promessas de melhoras não pareciam nunca passar disso mesmo…
PARTE II: ANTIGO TESTAMENTO
Pentateuco
7. Os primeiros cinco livros da bíblia Pentateuco é uma palavra grega que significa literalmente “cinco invólucros”. Estes invólucros eram uns cilindros metálicos utilizados para guardar e proteger os papiros e pergaminhos, os livros da antiguidade, sempre manuscritos em peles de animais ou folhas de árvores tratadas e secas.
8. Livro do Génesis Génesis é uma palavra grega que significa “nascimento, origem”.
9. Livro do Êxodo Êxodo significa “saída, passagem”. O livro do êxodo narra, de forma épica a saída, numa mistura de fuga e expulsão, do povo do Egipto para a Terra Prometida por Deus.
10. Livro do Levítico Este livro é o mais exclusivamente judaico, porque é o livro do culto, que nós dificilmente entendemos.
11. Livro dos Números O livro recebeu este nome por começar com o recenseamento do povo e por estar depois fortemente marcado por narrações de listagens genealógicas longuíssimas.
12. Livro do Deuteronómio Deuteronómio significa “segunda lei”. Este livro é também legislativo, mas tem um tom mais profético e coloquial que qualquer um dos anteriores.
13. Uma Aliança que nos põe a Caminho Quatro dos cinco livros do Pentateuco são “escritos e lidos a andar”, acompanhando o povo pelo deserto. O Homem, segundo a espiritualidade do Pentateuco, é um permanente itinerante, um peregrino. Para onde? Para onde Deus quiser!
14. Viver na dinâmica do Dom Eis a revelação de um Deus que toma a iniciativa. Um Deus que não re-age simplesmente às súplicas dos homens ou aos seus méritos, mas o Deus da Iniciativa Amorosa, gratuita: não pedida, não sonhada, não merecida, não possível sem Ele…
15. Uma Aliança à espera de Cristo A Nova Aliança de Deus com os homens, inaugurada em Cristo, não é nova por ser outra. É nova por ser a Aliança que vem desde o princípio mas purificada, re-novada e levada à plenitude do sonho de Deus.
16. Pistas de leitura para os livros do Pentateuco Para uma leitura temática destes livros…
Livros dos Profetas 17. Os Profetas, possuídos pela Palavra Toda a história bíblica está profundamente marcada pela figura dos profetas. São eles os grandes apaixonados pela verdade de Deus, os seduzidos pela força da Sua Palavra, os arautos da Sua fidelidade e os anunciadores por excelência das maravilhas que Deus pode fazer na vida daqueles que Lhe são fiéis.
18."NABI", a Palavra escutada Na língua hebraica, esta é uma palavra na voz passiva, o que diz já da essência profética como passividade, disponibilidade, escuta.
19. "PROFETÊS", a Palavra anunciada No profeta, a disponibilidade da escuta gera a inevitabilidade do anúncio. Assim, além do seduzido pela Palavra que guarda no coração, é a voz dessa Palavra.
20. Instrumento da Palavra A Palavra imprime-se no profeta e exprime-se no profeta. A grandeza da vocação profética é o mistério da Palavra nas palavras: a Palavra de Deus revela-se nas palavras dos profetas.
21. Pistas de leitura para os livros dos Profetas Para uma leitura temática destes livros…
Livros Históricos e Sapienciais
22. Livros Históricos Ao dizermos “livros históricos” e ao compará-los com os nossos livros de história, não podemos esquecer uma coisa: a fé do povo de Israel. A história do povo é toda ela narrada em chave de fé no Deus da Aliança.
23. Escritos Sapienciais Os livros sapienciais são aqueles em que o tema é a Sabedoria. Estão muito despojados de normas jurídicas e distanciam-se claramente da experiência de Deus que dá origem à Lei para afirmarem a primazia de uma experiência de Deus que dá origem à Sabedoria como arte de viver.
24. Salmos Não é um texto, mas um conjunto de 150 textos. E, acima de tudo, não são como todos os outros escritos para serem lidos ou proclamados, mas sim cantados! Os salmos são cânticos.
25. Pistas de leitura para os livros Históricos Para uma leitura temática destes livros…
26. Pistas de leitura para os livros Sapienciais Para uma leitura temática destes livros…
O Messias no Antigo Testamento
27. A Esperança no coração de um Povo A aventura da esperança messiânica nasce da profecia que o profeta Natan fez a David, aproximadamente mil anos antes de Jesus Cristo.
28. Da Promessa à Desilusão A experiência do povo, ao confrontar-se com os sucessivos descendentes davídicos, foi frustrante. A aliança que Deus prometera não podia realizar-se neles pois não eram instauradores do Shalom messiânico, não eram fomentadores da paz, da prosperidade, da justiça e da alegria que vem de Deus.
29. A importância da fidelidade dos Profetas A iniquidade e infidelidade à unção dos reis de Judá chama os profetas à liderança da aventura da esperança messiânica entre o povo.
30. O recomeço do Sonho, depois do exílio na Babilónia Um dos problemas a que o exílio prolongado dera origem fora a quebra da sucessão dinástica no trono de Judá, com o risco de se cortar a linha da descendência davídica, que era o filão da esperança messiânica.
31. A espera da Ira de Deus na vinda do Messias A literatura apocalíptica do Antigo Testamento que falava do Dia da Ira do Senhor falava também de um outro conteúdo fundamental da Aliança de Deus com o Seu povo: a esperança messiânica. E aconteceu progressivamente que os dois conteúdos da fé judaica se juntaram.
PARTE III: NOVO TESTAMENTO
A Caminhada dos Discípulos
32. O discipulado histórico Quando Jesus inicia a sua vida pública messiânica, após a prisão de João Baptista, uma das suas primeiras preocupações foi escolher e reunir em torno de si um grupo íntimo de discípulos. Jesus não aparece na História da Salvação como um “herói solitário”, mas cria uma pequena comunidade continuadora da sua missão.
33. O fracasso da morte A morte de Jesus motivou nos discípulos um misto de três sentimentos profundos: tristeza, medo e desilusão. Para quem esperava um Messias que pelo poder alcançasse a riqueza e o sucesso, um “Messias crucificado é um escândalo” e a morte era um fracasso incompreensível.
34. A experiência pascal A experiência pascal é o grande recomeço da vida daqueles discípulos, e o grande começo da vida dos discípulos de todos os tempos. Este recomeço é impulsionado vitalmente pela acção do Espírito Santo, o grande dom do Ressuscitado, na interioridade dos discípulos, que os conduz ao nível mais profundo da vida, onde se encontram na fé e no amor com Cristo eternamente vivo.
De Jesus aos Evangelhos 35. Jesus de Nazaré Evangelho é uma palavra grega que literalmente significa: “Boa Nova”. Para compreendermos os textos dos evangelhos, o primeiro ponto de referência é Jesus de Nazaré, ele que foi a Boa Nova de Deus, o anunciador e revelador da Bondade e da Novidade de Deus.
36. As primeiras Comunidades Ao fazer a experiência pascal, o grupo dos discípulos volta a reunir-se, agora em torno da certeza de que Jesus estava verdadeiramente vido e era de facto o Messias de Deus, embora inesperado em relação à esperança judaica. Saem para a rua no domingo de Páscoa!
37. Os evangelistas O evangelho escrito mais antigo é o de Marcos, datado por volta do ano 70. O Evangelho era até então anunciado e testemunhado oralmente. Quem são os evangelistas? Homens concretos, que pertenciam a comunidades também elas com experiências e características concretas em relação à vivência do Evangelho de Jesus.
Jesus nos Evangelhos 38. Jesus no evangelho de Marcos Considera-se que foi escrito em Roma, e será a fixação por escrito do fundamental do testemunho de Pedro sobre Jesus, do qual Marcos teria sido discípulo directo. Escrito em contexto pagão e para uma comunidade de pagãos…
39. Jesus no evangelho de Lucas Também é um evangelho escrito em contexto pagão, para comunidades pagãs e, desta vez, até por um evangelista pagão! Com efeito, Lucas não era judeu, mas grego, e teria sido discípulo de Paulo, companheiro até em várias das suas viagens missionárias.
40. Jesus no evangelho de Mateus Mateus é normalmente identificado com Levi, o cobrador de impostos que se tornou discípulo de Jesus. A grande diferença entre o seu evangelho e os outros dois sinópticos encontra-se no contexto em que nasce e na comunidade a que se destina.
41. Evangelhos da infância de Jesus Não são biografias nem crónicas de historiadores, e se quisermos lê-los como escritos de jornalistas, à procura de rigor histórico, o que acontece é que eles anulam-se um ao outro, de tão diferentes que são.
42. Jesus no evangelho de João O evangelho de João foi o último a ser escrito, já por volta do ano 100, e apresenta uma reflexão das comunidades cristãs primitivas sobre Jesus muito mais elaborada que nos evangelhos anteriores, escritos cerca de 30 anos antes.
O livro dos Actos dos Apóstolos 43. O Espírito Santo faz a Igreja O livro dos Actos dos Apóstolos é a “segunda parte” do evangelho de Lucas. Podemos chamar-lhe “O Evangelho do Espírito Santo” pelo protagonismo que Lucas lhe dá na formação e condução da Igreja nascente.
44. A Igreja da Palavra e do Espírito A Igreja do Espírito é também a Igreja da Palavra, radicalmente missionária, não fechada sobre si mas consciente da sua missão de ser voz da Palavra para o mundo e instrumento eficaz desse Espírito “Amor difusivo de Deus”.
45. Da "seita dos nazarenos" à Igreja de Jesus Cristo O grande “problema” da Igreja primitiva não foi a tensão entre a comunidade de Jerusalém e o contexto judaico em que se movia, mas sim a divisão, dentro da própria Igreja, entre a “Igreja judaica” e a “Igreja pagã”.
46. A primeira refundação da Igreja A Igreja não pode cristalizar, fechar-se sobre si própria e absolutizar o seu passado. A Igreja de Jesus, a Igreja fiel aos apelos do Espírito é a Igreja em permanente Refundação.
As Cartas do Apóstolo Paulo
47. No início do Cristianismo As cartas de Paulo são os primeiros escritos do Novo Testamento que chegaram até nós, ainda anteriores aos Evangelhos. São cartas que Paulo foi escrevendo às comunidades por onde ia passando na sua actividade missionária.
48. Quem é Paulo? Acima de tudo, Paulo é um apaixonado. Não sabia fazer nada “a meio gás”…
49. Da Lei de Moisés ao Espírito de Cristo Esta é a grande questão sempre presente nas cartas de Paulo. Para os judeus, Moisés era o grande legislador e o grande profeta da história, aquele que tinha recebido a lei de Deus no monte Sinai. Em Cristo, Paulo não vê um novo legislador e profeta, mas o Messias prometido, Salvador.
50. O Apóstolo da Graça Foi a grande descoberta da vida de Paulo: a Graça de Deus como Amor absolutamente incondicional de salvação. Cristo é o rosto da Graça de Deus!
Livro do Apocalipse 51. Um escrito clandestino Este é um dos livros menos amados (e conhecidos…) da bíblia. Tem tantas imagens de difícil compreensão, tantos símbolos estranhos, tantos monstros e animais com imensas cabeças e uns não sei quantos braços e asas e olhos em tantos lados, e uma misturada de tantos números… que quando se chega ao fim dos primeiros capítulos, encosta-se a um canto.
52. A Palavra definitiva da nossa História é Jesus Cristo quem a diz Depois de mandar uma carta para cada comunidade confirmando ou corrigindo como lá se vivia, o livro introduzia essas comunidades numa visão na qual lhes seria revelado o sentido da história e a certeza de que era Jesus Cristo Ressuscitado quem a controlava.
53. "E viveram felizes para sempre..." O livro do Apocalipse é como uma elaborada história infantil, em que há reis maus e príncipes bons, bruxas más e inocentes mal tratados, onde tudo parece correr mal, onde parece que os maus ganham todas as batalhas e levam sempre a melhor mas… no fim, lá aparece algum cavaleiro encantado que dá a volta ao texto e castiga os maus, enquanto que ele e os bons ficam a viver felizes para sempre!
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